quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Sobre Glauber Rocha e Anestesias

Certa vez o baiano Glauber Rocha disse que bastava uma idéia na cabeça e uma câmera na mão para se fazer cinema. Se ele fosse vivo, haveria de concordar comigo: É necessário uma câmera na mão, uma idéia na cabeça, e um login do Youtube, para se fazer qualquer vídeo. Claro que no caso abaixo, uma pitada de filhadaputice do pai, também. Mas já que assim o fez, cá está nosso divertimento.







"Is this real life?" é a melhor frase ever!!!!



Fez me lembrar de minhas experiências anestesísticas. Claro que nunca fiquei nugrau desse moleque nenfu (a não ser no dia que mordi o peito da dentista, mas foi um acesso de dor e ela tava esfregando o peito na minha cara - ok, tava zuando, mas bem que poderia ser verdade. Aliás, dentista é um bicho estranho. Merece um post único. E esses parênteses já ficaram grandes demais!). As anestesias de dentista sempre me deixaram muito intrigado. Aquela picadela de nada dói irritantemente, mas suportavelmente. E aí você fica com a boca parecendo que teve um derrame. Um horror. Baba que é uma beleza. Mas essa anestesia não é a mais interessante.

Uma vez fui fazer uma micro-cirurgia (adoro esse termo, faz parecer que era irrelevante e que não doeu nada) no dedão do pé. Tirando o ridículo do fato, a anestesia doeu muito, muito, muito mesmo! Certeza que o cara que inventou aquela merda nunca ousou aplicar em si mesmo, porque se o fizesse ia perceber que era melhor dar uma no pédoreia pro moribundo desmaiar e num sentir dor nenhuma. Mas como eu suponho que deva doer menos do que o procedimento cirúrgico a sangue frio (tenho minhas dúvidas), então aceitei. O hilário da história não foi isso (nem o cheiro de auto-churrasco da cauterização). O hilário foi que todos os dedos do meu pé esquerdo estavam adormecidos. Cara, nunca soube que eles eram tão importantes assim. Claro, a gente imagina né...pro equilíbrio, e tal. E lembra da sensibilidade deles também quando dá aquela topada no dedinho em uma quina qualquer. Mas é uma diferença absurda! Parece que você tem um pézinho de japonesa, e vai se equilibrar no pé de japonesa pra ver. Além de um tombo, dei ALTAS topadas o dia todo (ou pelo menos até passar o efeito da mardita). O engraçado também é, quando está voltando, você "meio sentir" o dedão do pé. Pois é.

A outra intervenção cirúrgica hilariante da minha vida foi no nariz. Daí que eu tava numa pré-sala (affff), com mais umas pessoas. Veio o anestesista e me perguntou umas coisas, inclusive se eu tinha casos de alergia na família, e eu disse que não (e depois a senhora minha mãe veio me revelar que tinha mil casos, mas não me contou pra que eu ficasse mais tranquilo. Putaquelavida, minha mãe quase me mata pra me deixar mais tranquilo...). Chegou um enfermeiro, me deu a anestesia e disse: "Olha, você vai ficar meio grog viu, mas é normal". Gente, juro. Tava esperando aquela groguice como uma criança espera sua vez nas filas intermináveis dos brinquedos do Playcenter. E necas! Eu já tava vendo a hora que o médico ia vir com o bisturi na minha cara e eu ia sair no tapa com ele. Começaram a me levar pra sala de cirurgia, e foi passando o teto de hospital com vista da maca (ah, imagina isso, é bem típico de filme). Só sei que cheguei na sala com mais consciência do que nas análises que eu fazia com meu falecido terapeuta. 100%. Quando os enfermeiros foram me passar da maca pra mesa de cirurgia, começaram a fazer força, e eu falei: "Gente, vocês querem que eu passe pra mesa de cirurgia?" Nossa, pareceu que o defunto tinha levantado do caixão. Lembro até da cara de uma delas do tipo: Porra, não era essa a parte em que ele dormia?

Troquei de cama sob o comentário do enfemeiro: "Vixe, esse aqui é forte!". Daí vieram com uma máscara-momento-de-fuga-do-ataque-terrorista-biológico-do-filme-do-Steven-Seagall na minha cara, e pronto. Apaguei. A groguice ficou pra próxima. Acordei com o telefone tocando na sala de recuperação. Lembro que eu peguei o bendito e era a minha madrinha querendo saber como eu estava, como tinha sido a cirurgia, e tudo mais. Não consegui fazer muito melhor que o menino do vídeo, não. Aí já vem uma enfermeira com cara de felicidade dizendo "Ele acordou". Carajo de antenas! Se ela continha aquela surpresa no olhar, eu mifu. Pelo menos foi isso que consegui pensar na hora. Ou ela esperava que eu não acordasse? Branca-de-neve depois do atropelamento??? Bom, eu sei que a recuperação foi uma extremidade intestino-retal, mas isso não vem ao caso.

Espero nunca mais precisar tomar nenhuma dessas. Mas, se porventura precisar, preparem-se: aqui relatarei.

2 comentários:

Talita disse...

"why is this happening to me?" é a minha favorita!
hahahah!

Ray disse...

alguém me dá uma anestesia que nem a desse moleque? =)


ah, tomei uma anestesia uma vez que me deixou com medo de ser abandonada. fiquei no médico chamando pelo lucas e pela minha prima, achando que iam me deixar lá.