sábado, 19 de setembro de 2009

Os segredos de uma Recepção

Tava conversando ontem com uma puta amiga que é recepcionista de um hotel de Luxo em Sampa e chegamos à conclusão que os melhores bafões só recepcionista de hotel fica sabendo. Ela me contou uns fortíssimos, inclusive sobre hóspedes famosos de derrubar o cu da bunda. Como eu não quero arriscar o pescoço e nem o emprego dela, suprimirei-os do conhecimento público. Mas gente, garanto que vocês estão perdendo.

Para compensar, vou contar os meus bafões de quando fui recepcionista nos EUA. Tá, nem são bafões, mas são histórias sensacionais que eu tava lembrando. Tipo o dia que eu fui trabalhar na porta do prédio falando bem-vindo pra quem chegava e dizendo onde ficava o quarto. Trabalho mais besta DOMUNDO. E ainda ganhava loucas gorjetas por dizer bem-vindo. Quédizê, né. Daí um dia chegou um casal de velhinhos e eu fui levá-los até o quarto. Gente, juro. O velho eu JU-RA-VA que ia morrer na minha mão. Ele chegou no quarto com o pulmão na boca, respirando tipo cachorro asmático. Eu arregalei um olho discretíssimo aguardando pra fazer a extrema-unção do homem. A velha NEM AÍ. Num aguentei e falei:

(Eu): Olha. A senhora tem CERTEZA que ele está bem? Não precisa de uma ambulância?
(A velha com cara-de-to-pouco-me-fudendo): Não, ele tá bem sim. Me passa aquela GARRAFA DE WHISKY ALI.

O homem tipos morrendo, a velha abriu a garrafa de whisky, tacou um gelo no copo e sentou na varanda com as pernas pra cima pra tomar a fresca na periquita. Bom, pensei eu...se ELA que é mulher do homem tá nem aí...beijomeliga né. Saí fora. Nem sei que fim levou o velho.

Outro caso sério foi a velha francesa. Como até aquele momento eu era o único que falava francês, mifu. Sempre sobrava pra mim. E aquela diaba devia ter algum transtorno de personalidade sério. Porque ela queria as coisas imediatamente. Conclusão...tocava neguinho do PABX me transferir em casa a chamada dela pra eu traduzir o que queria. Um dia estava eu na recepção e chega ela com um chapéu enorme:

(velha): Victor! Me vê um cabeleireiro URGENTE!
(eu): Não conheço nenhum cabeleireiro.
(velha): Me arranja um AGORA. É uma EMERGÊNCIA!
Por um instante eu titubeei. Como que pode ser uma EMERGÊNCIA capilar?
Então ela levantou o tal chapéu. Gente, a mentecapta da francesa tava com uma ESCOVA GRUDADA NA CABEÇA. Eu engoli pra num cuspir na cara dela de rir. No maior profissionalismo, segurei o riso e falei: Vou lá atrás pedir recomendação pra alguém. Sério. Eu acho que fiquei 5 minutos sentado no chão dando risada da cara dela sozinho. E o pior que quando eu ensaiava voltar pra lá, enxergava a escova grudada na cabeça através do chapéu, tipo um raio-x, e caía na risada de novo.

Outro caso é que não podiam ter animais (quadrúpedes) no Resort. Então tinha gente que levava escondido e deixava dentro do quarto pra não ter que pagar a multa (que era BEM cara). Eu sei que numa correria pra compensar a ocupação de 102% em alguns dias (só turismólogos sabem como é possível ter mais de 100% de ocupação em um hotel), a governança às vezes limpava o quarto que nem o cu. Bom. Juntando outro fato que eu não sabia que SHEET, em inglês, significa toalha, papel e roupa de cama. Descobri isso e fiquei maravilhado, que só conhecia o sentido de SHIT, ou merda em bom português.
Então um dia chega uma mulhercom cara de belzebú na TPM e me diz:

-Hello. I have to tell you that we have a SHIT in our room. (Ou seja: Alguém levou seu rico animalzinho e ele cagou no quarto. As bestas da governança limparam às pressas e não viram, e eu, mifu).
- Does it? Well...it suposed to have one.

Tá. Pra você que não entendeu, eu traduzo:

- Oi, eu queria dizer que tem uma MERDA no meu quarto.
- É mesmo? Bom, mas deveria ter uma. (Pensando que era jogo de cama).

A mulher avermelhou os olhos, dilatou as pupilas e disse:

- WHAT???????
E eu inocentemente pergunto:
- WHAT KIND OF SHEET? (Que tipo de toalha/merda?)
Ela, no maior ódio: A-N-I-M-A-L F-E-Z-E-S!!!!

Bom, se a merda tivesse lá eu engolia de vergonha. Pedi MIL desculpas e dei um upgrade pra ela pro quarto melhor. Era o mínimo que eu podia fazer.

Nossa, mas tem tantas. Esse post já tá muito grande. Fica pra Parte II...

Um comentário:

Natália Tayota disse...

Eu diria q não há nada pior que ser recepcionista! Vc fica lá com cara de paisagem(a simpatia da parada), só no 'cara-crachá', vegetando né, pq recepcionista nem precisa pensar.rs Recepção = decepção = antro de fofoca tanto quanto a governança! kkkk
Aquelas que amam o turismo, né!
Só me responda uma coisa? O q cargas d´águas turismo tem a ver com jornalismo? desde q te encontrei tô tentando achar uma relação pra explicar esse interesse das pessoa "frustradas" como alguns aqui kkkkk bjo bjo