sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Enfim, Sexta!

Ê!!! Hoje é sexta-feira, dia de perder a dignidade!



Para aqueles que, como eu, ficam desesperados de ver a programação da 33ª Mostra Internacional de Cinema, e no melhor estilo, "Se não posso ver tudo, não vou ver nada", com raiva de uma programação tão extensa, desencana da vida cultural e vai pro bar.

Então vou contar uma história inspiradora que me aconteceu para encher seus corações de luz as vidas alheias de motivação para estragar a decência em uma sexta-feira qualquer.

Toda quinta-feira, nós, ECANOS, temos a famigerada QuintaiBreja, uma reunião etílico-depreciativa em um abiente descolado, com pessoas bacanas e música - quase - sempre boa.

O problema é que estou ficando velho. Sabe aquele senso de não-pertencimento? Você anda, anda, anda, conversa com grupos aleatórios, puxa papo com o catador de latinha, tagarela com pessoas que nem sabe o nome, mas chega um momento que bate a solidão. Nenhum de seus amigos de outrora está lá pra te dar um ombro. Que faz, então? Decide ir embora, bêbado, sem saber mesmo se está indo pro lugar certo. E, claro que, sem tem ninguém pra te guiar, não está.

Vou ao ponto de ônibus errado, pego o ônibus errado, e isso já é bem tarde. Não contente, durmo, e só acordo no ponto final na Zona Norte de São Paulo. Para uma questão de compreensão logística, eu moro na Zona Sul, ou seja: o extremo oposto. Já se fazia mais de meia-noite, eu estava em um local que não fazia ideia de onde era, no ponto final, encarando uma cara de cu do cobrador que causava indecisão nos seus peidos: não sabiam mais se desciam ou subiam.

Desci do ônibus e vislumbrei um MHotel de quinta catiguria. Entrei, não me lembro quanto paguei na diária (minha consciência monetário-deliberativa modifica-se proporcionalmente à quantidade ingerida de etanol), e dormi até as 6 da manhã, quando o dia já surgia claro e eu pude perceber que estava a metros do Metrô Tucuruvi. Fui embora com um gostinho de vômito satisfação por ter conseguido chegar são e salvo em casa no dia seguinte.

Então hoje é sexta-feira, dia da estragueira, dia de bebedeira, dia de ficar sem eira nem beira, dia de falar besteira, plantar bananeira, de fazer a zueira, de sacudir a poeira, de xingar o Nogueira, de batucar frigideira, espantar a pasmaceira, de cair na gafieira, de beijar a faxineira, da alegria costumeira, de curar bebedeira com bebedeira, dia de bagaceira.

Mas não se esqueça, depois vem o sábado!

Um comentário:

Natália Tayota disse...

Rá! Suas descrições sobre estar velho são quase minhas.Como faz pra resgatar a graça das coisas? rs!
Ah, o post do twitter assino embaixo. Qualé a graça, né? hahahaha acho q preciso de uma pípula 'de graça' viu!
beijos!!!!