quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Pedidos atendidos ou seu dinheiro de volta!

Quando cheguei nesta maravilhosa cidade chamada São Paulo, de súbito morava com meu irmão mais velho - publicitário enlouquecido - e um Colombiano que meu irmão conheceu em Cuba - só enlouquecido.

Já contei alguns vaivéns do Colombiano, que fumava maconha no quarto em represália ao fato de eu roncar à noite, mesmo sob pedidos concisos dele para que eu parasse (é, pois é). Mas teve um especial que foi marcante.

Meu irmão ia viajar pra China e ficar 3 meses por lá. Óquei. Antes de sair me deixou três recomendações:

1. Ligue o carro uma vez por semana porque o sistema de alarme é por satélite e, caso não seja ligado uma vez por semana, a polícia vem atrás pra saber se está tudo bem.

2. Molhe as orquídeas carésimas que eu possuo. Esta molha assim, esta molha assado, tantas vezes por semana.

3. Aqui está o dinheiro, pague todas as contas em dia quando chegarem pra não terem um centavo de juros.

Tudo bem. Nada difícil para um bípede pensante que eu me considerava. Só que no final destes três meses, eu iria viajar pro interior por três semanas. Resolvi deixar as tarefas domésticas sob o astuto comando do Colombiano. Ótimo.

Cheguei no mesmo dia que meu irmão voltou da China, mas por questão de horas ele chegou antes. Encontrou dois policiais procurando pelo carro dele, as orquídeas mortas e as contas todas com juros sobre juros.

Preciso nem dizer que ele comeu meu fígado com farinha de tapióca. E eu, aproveitando-me da melhor posição na pirâmide social, fui comer o rim do Colombiano:

- Ixcutaqui!!!! Você não foi capaz de ligar um carro, manter plantas vivas (veja bem, nem pedi pra que ficassem florescendo) e pagar meia dúzia de boletos?

Ele me olha de olhos vermelhos (sem pêlo branquinho):

- Ah, eu não consegui. Eram muitas coisas pra lembrar.

Neste momento percebi que a Cannabis sativa não era um meio de vida pro ser humano, mas um fim.

Engoli a seco, girei nos calcanhares e voltei pra tomar a minha surra de gato morto até o bicho miar. Claro que tentei jogar a culpa no pobre latino americano, mas ouvi de volta: "Se eu não soubesse que ele é incapaz de fazer essas coisas, eu não pedia pra você!".

É, faz sentido. Aprendi uma coisa muito importante naquele momento: Nunca entregue responsabilidades pra maconheiros Se você quer uma coisa bem feita, por mais idiota que ela possa parecer ser, faça você mesmo.

2 comentários:

Luiz disse...

Muito bom !!! Dei até umas risadas aqui lembrando dos bons tempos ...

Abs do irmão + velho

Victorique De Blois disse...

Hahaha! Incrível