domingo, 29 de novembro de 2009

Ode à Cerveja

Em um momento de apreciação do líquido amarelo-dourado (não, não to falando de urinoterapia ainda), comecei a pensar nas incontáveis vantagens que nosso querido suco de cevada traz à humanidade e, olha, não são poucas.



Se eu fosse Jesus, dava cerveja ao invés de vinho. Se eu fosse médico, receitava cerveja ao invés de lexotan. Se eu fosse alcoólatra, bebia cerveja ao invés de cachaça. Como eu não sou nem Jesus, nem médico, me reservo ao direito de beber muita cerveja.

Veja bem. Porque comer Activia se cerveja pode te regular o intestino? Porque tomar fluoxetina se cerveja pode te tirar da depressão e trazer alegrias incontidas? Porque tomar hidroclorotiazida, se cerveja é diurética? Porque comer, se cerveja é granola líquida?

Cerveja proporciona momentos de integração social como nenhum outro líquido jamais fez. Nem coca. Nem cola. Tampouco Coca-Cola. Se associada a mesa de metal, copo americano, samba e petisco, tem seu poder integrador potencializado ao infinito. Tenho CERTEZA que se Palestinos e Judeus tomassem uma gelada juntos, acabava o problema no Oriente Médio.

Resumindo: É a materialização da alegria. É a solução dos problemas do mundo em estado líquido. É a perfeição gaseificada.

E aí? Bora tomar uma breja/cerva/loira/gelada?

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Recesso


Informo meus queridos leitores e visitantes que por conta de uma frustração aguda que me acometeu, estou de recesso.

Crise criativa, paunocu, viadagem, falta de auto-confiança, chamem do que quiser. A Folha me disse por meio de uma prova cartesiana e meritocrática que eu não to pronto pra isso pra isso, dando o tapa na cara mais doído que eu já recebi.


Portanto vou me recolher à minha mediocridade jornalístico-existencial por tempo indeterminado e, tão logo eu volte a acreditar no meu potencial, estarei de volta neste espaço e nos outros vários que por uma ignorância do destino rascunho umas besteiras.


Sem mais por ora.

*UPDATE*: Foi o tempo que eu precisava pra me apiedar de mim mesmo. Pronto. Passou. Agora só to puto, o que já é suficiente pra escrever de novo. Pelo menos aqui.

*UPDATE 2*: Pra quem se importa. Foi importante eu não ser admitido na Folha. Agora estou muito mais certo do que sempre soube: Preciso aprender muito, e quero, mais do que nunca, estudar tudo o que eu puder, pra não ser um jornalistinha meia-boca.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Low Batt

A Blasfêmia não partiu originalmente de mim, apesar de já ter pensado nisso inúmeras vezes. Mariana, minha amiga, ouvindo o chamar repetido e irritante do seu celular sem bateria falou: PUTAQUEPARIU! Pra quê é que esta merda fica apitando?

E neste momento me identifiquei com sua angústia. Precisava de uma reunião com os empresários da Nokia, Motorolla, Samsung, LG e Sony Ericson para perguntá-los: Porque um celular sem bateria precisa ser TÃO CHATO?


E não, não adianta por no silencioso, que deveria por si só indicar que você não pode ter um barulho importunando. Muitos deles simplesmente ignoram seu pedido de silêncio e continuam a fazer seu "pi-pi-pi" individualista e incessante. Alguém em sã consciência acredita que as pessoas GOSTAM de ter seus celulares descarregados? Não, queridos. Nós também não queríamos viver esta situação. Gostamos de nossos bichinhos virtuais funcionando como deveriam. Mas é que às vezes acontece, sabe?

Além disso, se esse fiudumaquenga não gastasse o resto de energia que lhe sobra pra avisar que está acabando, certamente duraria mais um pouquinho.

Então pronto. Está lançado o Projeto Celular Quieto. Tá acabando a bateria? Apaga. Morre. Mas pelamor, NÃO ME ENCHE O SACO!

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Medo de quê?!

Gente.

Trago aqui, em primeira mão (?!), a lista de fobias da Wikipedia. Sério. Vale a pena perder um tempinho e ler esta lista. Para adiantar a vida de pessoas ocupadésimas, destaco os principais, com comentários entre parênteses.

Afobia - Medo da falta de fobias ( A pessoa teme não temer nada. Tipo isso!)
Anemofobia - Medo de correntes de ar (Tipo: Fujam! Aí vem uma brisa! E ela é MARÍTIMA!!!!!)
Anatidaefobia - Medo de ser observado por patos (Donald! Que cetá olhando malandro????!!!!)
Autofobia - Medo de si mesmo ( Aquele cara que não confia nem na sombra. LITERALMENTE!)
Caetofobia - Medo de pêlos (Terapeuta apresenta paciente pro Tony Ramos que morre do coração)
Cosmicofobia - Medo de movimentos cósmicos (CARALHO! Uma estrela cadente! Salve-se quem puder!)
Dextrofobia - Medo de objetos do lado direito do corpo (Nem entendi esse medo. Mishplica!)
Estasibasifobia - Medo de estar de pé ou andar (UFA, agora nesta cadeira-de-rodas estou SUPER SEGURO!)
Estruminofobia - Medo de morrer defecando (Ah, porque se morrer VOMITANDO, tá sussa)
Fronemofobia - Medo de pensar (E como ele chegou à conclusão que sente esse medo? Pensando bem acho que já conheci umas pessoas assim).
Geniofobia - Medo de manter a cabeça erguida (Esse só o Corcunda de Notre Damme sentia)
Hipopotomosntrosesquipedaliofobia - Medo de palavras grandes (Percebeu o sarcasmo do psiquiatra que deu nome a essa fobia, né?)
Japanofobia - Aversão e medo mórbido, irracional e persistente de japoneses e sua cultura (às vezes eu também tenho, viu. Clique aqui e aqui.)
Megalofobia - Medo de coisas grandes (Se a ambiguidade estiver valendo, TEMA MESMO, minha filha)
Microfobia - medo de coisas pequenas (Se a ambiguidade ainda estiver valendo, TEMA MAIS DO QUE NUNCA, minha filha)
Narigofobia - Medo de narizes (Bom, se for contar o do Michael, acabo de me enquadrar nessa).
Nostofobia - Medo de voltar pra casa (Porque a rua é SEMPRE o lugar mais seguro).
Octofobia - Medo do número oito ( Ãhn???)
Quifofobia - Medo de parar (Acabo de descobrir a doença que acometia Sir Johnny Waker!)
Radiofobia - Medo de radiação (Ah, porque isso ninguém teme, não. Eu, aliás, ADORO um uraniozinho enriquecido)
Tafofobia - Medo de ser enterrado vivo (Taí outro pleonasmo. Porque eu TORÇO pra ser enterrado vivo!)
Uranusfobia - Medo do Planeta Urano (É, melhor não tomar esse ônibus espacial. Tem escala em Urano!)

Vale a pena conferir na íntegra esta maravilhosa lista e lembrar que se você se acha bizarro, SEMPRE tem alguém pior nesse mundo.

E vamo que vamo.

A

A

B

C

D

E

F

G

H

I

J

  • Japanofobia - aversão e medo mórbido irracional, desproporcional e persistente de japoneses e de sua cultura.

L

M

N

O

P

Q

R

S

T

U

  • Uranusfobia - medo do planeta Urano
  • Uranofobia - medo do céu
  • Urifobia - aversão e medo mórbido irracional, desproporcional persistente e repugnante a fenômenos paranormais
  • Urofobia - medo de urina ou do ato de urinar
  • Uiofobia - medo dos próprios filhos; medo da prole.

V

X

  • Xantofobia - medo da cor amarela / medo de objetos de cor amarela
  • Xenofobia - medo de estrangeiros ou estranhos
  • Xerofobia - medo de secura, aridez
  • Xilofobia - medo de objetos de madeira ou de floresta

Z

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

10 Razões porque odeio Futebol

Por um infortúnio do destino, nascemos no "País das Maravilhas do Futebol" Crescemos ouvindo narrações de jogos, aprendendo as regras, entendendo a hermenêutica futebolística, louvando Pelé, odiando Argentinos, mandando o juiz pra putaqueopariu, torcendo pra algum time e fazendo silêncio sepucral na hora dos jogos.

Em um dado momento da minha vida me dei o direito de odiar futebol. E venho aqui, por meio deste livre espaço de expressão e divagação (minha), pra embasar econômico-político-sócio-culturalmente a minha maledicência contra tal esporte. Se ao fim desta argumentação você não concordar que pelo menos um destes itens é, de fato, muito irritante (mesmo aos mais fanáticos), passo a acompanhar o Brasileirão e torcer pelo XV de Piracicaba. Roxamente.

1. São onze marmanjos de um lado, onze marmanjos do outro, que deveriam fazer terapia em grupo por almejar coletivamente e de forma frustrada uma única e estapafúrdia pelota de couro amarrado cheia de ar. Não vejo POR ONDE isto pode ser interessante.


2. Enfiar a bola dentro de um buraco incontestavelmente grande não me parece nenhum feito a ser comemorado. Não fosse por ter uma mala tentando proteger até eu faria gols.

3. A torcida me irrita profundamente. As pessoas ficam bobas, brigam feito animais, choram feito crianças. São homens, mulheres, crianças, que torcem com TANTA emoção, que me dá náuseas. Alguém precisa apresentar coisas REALMENTE emocionantes para estas pessoas. Chama o Programa do Gugu, chama as revelações da Márcia Goldschmidt, manda a Vanusa cantar o hino, bota o Nelson Ned cantando frevo fantasiado de hawaiana, faz um trio do Emílio Santiago, Elymar Santos e Wando cantando Björk . Isto é emoção, minha gente.

4. Existem mil regras tolas pra deixar tudo mais difícil, e que depois serão pautas de programas de esportes que não acabam nunca, sempre com comentários inflamados e divagações desafortunadas de analfabetos funcionais. Pra quê tanta frescura? manda neguinho correr e fazer a parte dele e tá bom, pô.

5. 90 minutos é muito tempo. Vocês hão de convir comigo que com 90 minutos na mão, pode-se ver um filme, fazer sexo mais de uma vez, rodar o shopping, assistir o SuperPop inteiro, ler o Pequeno Príncipe, malhar pra cacete, escrever várisos Posts em um blog, e tentar ser um ser humano melhor. E os acréscimos, então? Tem piedade, ó Senhor.


6. Ter que aguentar toda Quarta e Domingo em TODOS OS VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO os resultados dos jogos, quem sobe e quem desce na tabela do Brasileirão e as cagadas dos juízes. Pensa que se a expectativa de vida do brasileiro é de 78 anos, logo serão vividas aproximadamente 4368 semanas. Se a gente é obrigado a assistir este importúnio pelo menos duas vezes por semana, ao final de uma vida teremos suportado mais ou menos 8736 "Momentos de Resultados dos Jogos". É muito mais do que quantas vezes você vai fazer sexo, por exemplo.

7. Aqueles fiudumasquenga dos jogadores e técnicos tem escolaridade de texugos, salários de Reis e discernimento de toupeiras. Vê o infeliz comentar a própria profissão dele, uma partida de futebol. Não sai nada! É o puro creme do milho verde academicista! É a estratosfera do pensamento. Você vai passar uns bons 18 anos dentro de uma instituição de ensino e NUNCA vai receber 1/47 avos do salário destes infelizes que não fazem nada além de correr atrás de um objeto esférico.



Joel Santana em entrevista após jogo da África do Sul, time que comandava. Salário estimado em US$ 5 milhões anuais. Victor Gouvêa, fluente em inglês, francês e espanhol; Salário = R$ 0.

8. Você ter que amar futebol como condição de existência de sua brasilidade me irrita de um jeito, que me faz odiar mais ainda. Porra, nasci no Brasil, mas ninguém me obriga a amar Bossa Nova, nem Jorge Amado, nem Paulo Autran ou Villa Lobos. Sempre tive que responder à pergunta "Que time você torce" com uma vontade louca de responder outra coisa que suprimirei aqui por se tratar de vocabulário chulo demais para ser explicitado levianamente. Torço pra quem ganha, que assim nunca me decepciono.

9. Porque sou um perna-de-pau convicto, porque sempre fui o último a ser escolhido,porque sempre me botaram no gol ou na zaga, porque tomei um coice de uma chuteira de pinos metálicos que quase me deixa aleijado, porque nunca fiz um gol bonito, porque nunca me motivei de correr atrás de um objetivo vil e efêmero e porque dou zica pro time inteiro que sempre perde.

10. Galvão Bueno.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

O mercado das entrevistas

Outro dia estava conversando com um amigo, e divagamos sobre as entrevistas de emprego. Cara, isso é uma máquina! Um verdadeiro mercado de inutilidade.

Ele, que estava buscando uma vaga como quem busca chifre na cabeça própria de cavalo, foi a incontáveis entrevistas, e saiu de todas elas - sem exceção - se sentindo o mais medíocre dos seres.
Vaga para seleção que eu recebi e me causou calafrios. Principalmente a parte do "traga seu CV", "os talentos e paixões" (imaginei levando ex-es pra lá) e o japonês com a raquete na mão e um sorriso no rosto.

Faz a barba, apara o cabelo, arruma a camisa social que combine com o resto da roupa, não parecendo nem muito sério, nem muito informal. Chega na hora - nem muito antes, nem muito em cima - e prepara o sorrisinho no rosto aparentando simpatia e escondendo a ansiedade. Senta em frente o entrevistador, não sabe o que faz com as mãos e nem as pernas por já ter lido mil dicas de RH's sobre o que a linguagem corporal quer dizer. Responde perguntas retóricas que quase sempre querem respostas que você sabe quais são - mesmo que, às vezes, não seja o que você diria se sua mãe te perguntasse.



Você tenta parecer um cara experiente, mas não arrogante, interessante, interessado, comunicativo, pró-ativo, curioso e formidável. Sai de lá sentindo que é a pior pessoa da face da terra porque não conseguiu ser sincero o suficiente, desinibido como o normal, confiante como se sentia e contratável como deveria. Aguarda um e-mail, um telegrama, um correio elegante, um telefonema sequer que às vezes chega, às vezes não.


E o pior é saber que numa entrevista eles nunca vão saber o puta profissional dedicado, meticuloso, perfeccionista e passional que eu sou quando estou fazendo alguma coisa. E da próxima vez não vou conseguir fazer diferente [otimismo mode on].

Pronto. Morram sem mim, YOU BASTARDS!!!!

PS: Se você já me entrevistou e leu esta notícia, bom...Foi assim que eu me senti quando estava sendo entrevistado :)

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Pedidos atendidos ou seu dinheiro de volta!

Quando cheguei nesta maravilhosa cidade chamada São Paulo, de súbito morava com meu irmão mais velho - publicitário enlouquecido - e um Colombiano que meu irmão conheceu em Cuba - só enlouquecido.

Já contei alguns vaivéns do Colombiano, que fumava maconha no quarto em represália ao fato de eu roncar à noite, mesmo sob pedidos concisos dele para que eu parasse (é, pois é). Mas teve um especial que foi marcante.

Meu irmão ia viajar pra China e ficar 3 meses por lá. Óquei. Antes de sair me deixou três recomendações:

1. Ligue o carro uma vez por semana porque o sistema de alarme é por satélite e, caso não seja ligado uma vez por semana, a polícia vem atrás pra saber se está tudo bem.

2. Molhe as orquídeas carésimas que eu possuo. Esta molha assim, esta molha assado, tantas vezes por semana.

3. Aqui está o dinheiro, pague todas as contas em dia quando chegarem pra não terem um centavo de juros.

Tudo bem. Nada difícil para um bípede pensante que eu me considerava. Só que no final destes três meses, eu iria viajar pro interior por três semanas. Resolvi deixar as tarefas domésticas sob o astuto comando do Colombiano. Ótimo.

Cheguei no mesmo dia que meu irmão voltou da China, mas por questão de horas ele chegou antes. Encontrou dois policiais procurando pelo carro dele, as orquídeas mortas e as contas todas com juros sobre juros.

Preciso nem dizer que ele comeu meu fígado com farinha de tapióca. E eu, aproveitando-me da melhor posição na pirâmide social, fui comer o rim do Colombiano:

- Ixcutaqui!!!! Você não foi capaz de ligar um carro, manter plantas vivas (veja bem, nem pedi pra que ficassem florescendo) e pagar meia dúzia de boletos?

Ele me olha de olhos vermelhos (sem pêlo branquinho):

- Ah, eu não consegui. Eram muitas coisas pra lembrar.

Neste momento percebi que a Cannabis sativa não era um meio de vida pro ser humano, mas um fim.

Engoli a seco, girei nos calcanhares e voltei pra tomar a minha surra de gato morto até o bicho miar. Claro que tentei jogar a culpa no pobre latino americano, mas ouvi de volta: "Se eu não soubesse que ele é incapaz de fazer essas coisas, eu não pedia pra você!".

É, faz sentido. Aprendi uma coisa muito importante naquele momento: Nunca entregue responsabilidades pra maconheiros Se você quer uma coisa bem feita, por mais idiota que ela possa parecer ser, faça você mesmo.

Querido Diário...

Querido diário...

Hoje, o final do meu dia foi absolutamente esquisito e lhe digo os porquês.


Primeiro eu fui pro ponto de ônibus, e este passou segundos após minha chegada. Subi, consegui lugar para sentar e o trânsito fluía como uma revoada de pássaros no verão. Cheguei em meu destino muito antes do previsível, sem nenhuma velha ter aparecido na condução coletiva para eu ter que dar meu lugar.

Fui ao Pão de Açúcar, que está com tudo mudado: os sabonetes onde eram os cereais, os cereais onde eram os produtos de limpeza, os produtos de limpeza onde ficavam os chás, os chás onde estavam os chocolates e os chocolates onde ficavam as camisinhas de sabores. Levei o tempo que economizei no ônibus - e mais um pouco - pra encontrar a nova localização geográfica dos meus interesses naquele supermercado.

Fui para a fila que, apesar de ter um caixa aberto, apenas, encontrava-se pequena. Além de mim, lá estavam um travesti com peitos postiços de papel higiênico e peruca de Dona Florinda, um bêbado segurando uma garrafa d'água que xavecava inadvertidamente o traveco, CERTO de que era apenas uma mulher de peitos murchos e bobs nos cabelos, um cara que questionava ininterruptamente sobre todas as facetas do Cartão Cliente Mais, e um japonês de olhos verdes (que suspeito que sejam lentes de contato). De normal, naquela fila, só tinha eu. Quer dizer, né.

Paguei e rumei à minha residência. Chegando no prédio, o porteiro me viu e abriu o portão sem ter que interfonar, e o elevador estava no térreo. Já na porta do apartamento, tinha um cachorro dormindo todo serelepe. Tá, não seria estranho se eu não morasse no 5º andar de um prédio. Entrei, guardei as coisas na geladeira, ligo a TV e encontro o Jô Soares anamariabragueando, dando uma receita de comida que incluia carne, linguiça, chantily e creme de barbear.


Como me sinto em um quadro do Dali, neste momento, vou dormir, e acordar esperando um ônibus que demore a passar e chegue lotado, que fique parado no engarrafamento por uma vida, que os shampoos e papéis higiênicos vão para o lugar onde deveriam estar no Pão de Açúcar, que também contará com muitos atendentes e filas homéricas de pessoas comuns, e depois chegar em casa e ter que tocar o interfone até o porteiro me reconhecer como o morador que sou, e o elevador estar no 11º andar, sem cachorros na minha porta, com o Jô entrevistando pessoas sentado em sua cadeira.

Amém.

Sobre o Kumon...

Outro dia estava almoçando e recebi de um passante na rua um papelzinho que dizia: Faça Kumon!

Juro. Me veio tudo na cabeça ao mesmo tempo e arrepiei até os pelos do sovaco só de lembrar de minha triste trajetória em tal regime ditatorial.

Eu sempre, SEMPRE fui uma negação matemática. De deixar Aristóteles e Descartes envergonhados por terem nascido. Perguntava coisas subjetivas pra professores e queria sempre entender o porquê de existir aquela fórmula matemática e sua aplicabilidade nas questçoes práticas da filosofia moderna. Ou seja né: Terror de qualquer professor.

O Ku grifado é por minha conta. Perceba a cara de infeliz do menininho da propaganda do negócio. Juro que não influenciei na cara de Ku do menininho desenhado na letra "Ó".


Percebendo o tamanho da minha ignorância, meus pais resolveram me inscrever no Kumon. Pra quem não conhece, é um método de tortura chinesa matemática criado por algum japonês filho de uma puta, que faz você ficar horas a fio sentado diante de problemas matemáticos até eles se tornarem automáticos na sua vida. Tá. Agora vou botar um rapaz do ITA em frente a elocubrações do Gilberto Gil pra ver se torna automática a compreensão dele.

O fato é que eu precisava mesmo de uma mão amiga pra compreensão exata. E lá fui eu ao Kumon. O Professor era o Seu Adalberto, um velho careca com cara de tarado, que aparecia todo bonzinho pra minha mãe, mas era O DIABO. Me odiava justamente por minhas viagens humanísticas demais pra exatidão dele. Além do que, as lições eram intermináveis: bloquinhos e bloquinhos com contas que não cessavam jamais. Eu joguei atrás do armário, na privada, enterrei, joguei no lixo, fiz miséria com aquelas lições de casa, mas elas sempre se multiplicavam.

Velho maldito que fundou o Kumon, senhor Toru Kumon (precisei nem jogar no Google, eu lembro o nome do velho)

Uma vez fingi que fui roubado - com a pastinha e tudo. Ah, lembrando que morava numa cidade de 30 mil habitantes e, se houvessem ladrões, seriam meus vizinhos. Ele olhou com uma cara de putíssimo pra mim e após uma pausa dramática disse:

"Então pelo menos os ladrões vão estudar e ter futuro na vida" ( tipo: diferente de você).

E me deu o dobro de lição pela distração. Daí que ele me xingava, humilhava e descontava a raiva do dia em mim. Eu reclamava pra minha mãe, mas ela só enxergava nele um bom velhinho careca. Até que um dia ele virou o carrinho de mexerica em cima de mim, fez escândalo de novela - onde se passa a mão com violência em cima da mesa derrubando tudo que está sobre ela no chão - e deixando a outra pobre aluninha estática em sua cadeira.

Eu fui embora, chorei rios, e finalmente minha mãe acreditou e resolveu me tirar daquela tortura. Anos se passaram tranquilamente e eu caí no golpe novamente. Abriu-se um novo Kumon na cidade com uma nova professora que foi minha vizinha e é um AMOR DE PESSOA. Daquelas que dá vontade de abraçar e dizer que sente muito por ela gostar de matemática.

E aí quando eu acertava um bloquinho inteiro de lição ela me dava um bombom. Bateu um Alcione Feeling e eu me motivava a acertar tudo pra ganhar bombons. Só que ela era muito boazinha e muito legal, daí eu enrolava até a morte. Não adiantou. Foi torturante e demorou pra poder conseguir a alforria.

Daí que eu me pergunto hoje: Porque, ó Jesus, eu concordava com meus pais e insistia em tirar leite de pedra? Se tivesse feito aula de outros idiomas no tempo que perdi naquela porcaria hoje falaria 7 línguas fácil.

Mas fica a dica: Não faça JAMAIS seus filhos estudarem no Kumon. Ele fez uma criança mais infeliz.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Sobre os antecessores e a Proença

Parece que a polêmica deste mês foi acerca das piadinhas infames que dona Maitê protagonizou anos atrás na "terrinha". Como existe um delay natural pra piadas de portugueses em Portugal, só agora eles ficaram putos.

Como eu não quero ser processado nem nada, adianto que tenho deste sangue de padeiros correndo em minhas voluptuosas cavidades cardíacas. E muito sangue portuga, aliás. Além de meu pai se chamar Manoel - em homenagem a seu avô - da parte da minha mãe (Maria) também despontam uns Joaquins. Quer dizer né...só não chamo pão de cacetinho pra evitar constrangimentos.

Então, me apropriando de toda a lusitanidade intrínseca à minha pessoa, faço piadas deles. Conheci uma portuguesa em Recife que dizia que esta história de que Portugueses fazem piadas de brasileiros é mentira. Whatever. Eu não me sinto mais culpado por fazê-las.


Sim, Anabela de Malhadas é a melhor piada que me apareceu nos últimos 47 anos.

O negócio é que eles enxergam algumas coisas de forma diferente da gente. Por exemplo quando se pede alguma coisa no Restaurante:

-Olá, garçom. Tem vinho tinto?
-Tem.
-Então me traga um.
-Acabou.

Porra! Tem mas acabou? É o pensamento prático deles que mata. ter, eles tem, mas naquele momento está em falta. Então teóricamente sua pergunta foi idiota. Deveria ser algo como "Você tem vinho tinto disponível para consumo?". E aí que surgem as piadas de brasileiros, porque somos muito práticos pras coisas, parecendo idiotas, às vezes.



Outro clássico são as embalagens de produto, que tem inscrições como advertência que deixam qualquer um estupefato com tamanha genialidade.

Enfim, a tiração de sarro não vai acabar jamais. E a Maitê Proença não foi a primeira, nem será a última. Mas, Maitê, vamos combinar: Da próxima vez que for tirar sarro de Português, ao menos seja engraçada.